Tipos de comunicação e a interferência na segurança do paciente.

Atualizado: 1 de Fev de 2021

COMUNICAÇÃO COM PACIENTE E RESPONSÁVEIS


Um dos maiores desafios humanos é a adequada comunicação interpessoal.


Esse desafio se intensifica na área de saúde quando necessitamos assegurar a assistência de maneira efetiva, especialmente nos processos de transição do cuidado profissional oferecido ao paciente.


Para o planejamento terapêutico multidisciplinar, que ocorre desde a admissão até a alta segura, é essencial que seja realizado com evidências em registros todas as práticas para o tratamento, do cuidado até a reabilitação, gerando possibilidades de acontecer falhas ou até mesmo evento adverso.


Para garantir qualidade e segurança no atendimento ao paciente, o cuidado centrado no indivíduo deve ser prioridade, fortalecendo o processo de cuidar, assegurado pela boa comunicação interprofissional.


Estabelecer diálogo com o paciente e seus familiares ou responsáveis contribui para ajustar o planejamento terapêutico às suas necessidades, respeitar as crenças e cultura do paciente e atender as expectativas da instituição e do paciente e isso se intensifica com o entendimento da importância do profissional de psicologia clinica e assistência social.


Para assegurar a continuidade do cuidado é necessário o envolvimento dos profissionais, dos pacientes e seus familiares ou responsáveis, sendo essencial a garantia do entendimento por todas as partes envolvidas trazendo segurança ao processo terapêutico.


É de conhecimento de todos a importância e o direto à comunicação do paciente com seus familiares, fonte de apoio afetivo para quem está hospitalizado.

Com o avanço da Covid 19 no mundo, ficaram proibidas as visitas presenciais e a limitação da comunicação dos profissionais com os familiares dos pacientes gerou um grande desafio emocional.

Algumas instituições de saúde consideraram os diferentes cenários e implantaram ações para otimizar a comunicação e acolhimento dos pacientes e familiares afetados pela doença.


O uso de vídeo chamadas e de plataformas de comunicação alternativa, como recursos para viabilizar o contato com a família e promover a compreensão das demandas dos pacientes com covid-19, humaniza a assistência, com impactos positivos para a saúde dos pacientes internados e para o controle emocional de todos os envolvidos.


Escutar os pacientes e responsáveis e registrar suas opiniões, sugestões ou críticas, é extremamente necessário para garantir a eficácia da comunicação.


COMUNICAÇÃO NA TRANSIÇÃO DO CUIDADO


A troca de turnos é um dos principais pontos críticos para a garantia da segurança dos pacientes. Ruídos ou falhas na transição dos cuidados e das informações clinicamente relevantes podem levar a eventos adversos como troca de diagnóstico, atrasos no início e continuidade dos tratamentos, omissão de cuidados e resultados indesejados.


Um outro fator de descuido na atenção primária são incidentes que acontecem por falhas de compreensão sobre medicamentos.


Quando o assunto é segurança do paciente, o cenário que costuma vir à cabeça são os hospitais. Mas estudos sugerem que uma parcela significativa dos incidentes podem ocorrer na atenção primária, em consultórios e ambulatórios que primeiro atendem a população no dia a dia.

Um método eficaz é utilizar um procedimento padronizado para explicar um diagnóstico a um paciente ou a maneira de fazer uso de uma medicação e para assegurar um resultado de comunicação efetiva deve-se solicitar que o paciente explique ao profissional da saúde a mensagem que acabou de receber.


COMUNICAÇÃO ENTRE OS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS

O fortalecimento da comunicação entre os profissionais de saúde vem sendo apontado, há tempos, como um dos pilares da segurança do paciente e o debriefing, momento de reflexão e discussão conjunta da equipe logo após o atendimento, se mostra cada dia mais relevante para a qualidade da assistência.

Um estudo realizado no início de 2020 na Irlanda diz que 100% dos participantes confirmam que essas reuniões realizadas imediatamente após os acontecimentos melhoram a prática clínica. Além disso, a pesquisa sugere melhorias também no bem-estar psicológico dos envolvidos. - Fonte IBSP


As falhas de comunicação estão entre as causas-raiz mais frequentes de incidentes na assistência à saúde. Um estudo interessante, recém divulgado por uma publicação científica da JCI, permitiu entender a dinâmica de interação entre médicos e enfermagem. Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, analisaram 161 registros de incidentes que tiveram como uma das causas-raiz um erro ou a falta de comunicação. O resultado surpreendeu. Comunicação ineficaz está entre as causas-raízes de mais de 70% dos erros na atenção à saúde


COMUNICAÇÃO EM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLINICAS E MEDICINA DIAGNÓSTICA PARA GARANTIR LAUDOS SEGUROS


O ciclo da comunicação se inicia com o médico, quando da decisão de solicitar exames clínicos ou de imagem ao paciente, passa pela prescrição dos exames e envio da requisição ao laboratório ou medicina diagnóstica, pela obtenção do espécime, pela análise do material coletado ou imagem evidenciada, pela emissão e apresentação do laudo ao médico, pela interpretação dos resultados e termina com a conduta clínica resultante dos achados laboratoriais e clínicos.


Analisando o ciclo da segurança do paciente em laboratório de análises clínicas, encontramos riscos em todas as suas fases, que são divididas em três: pré-analítica (da decisão de solicitar o teste até a obtenção do espécime), analítica (quando os processos de análise são realizados e um resultado é obtido) e pós-analítica (da geração do laudo até a conduta clínica do médico).


Os principais problemas são encontrados nas fases inicial e final do ciclo. Interessante considerar que tais fases estão conectadas ao médico que solicita o exame e o recebe, interpreta e conclui seu diagnóstico e conduta clínica. A comunicação entre o laboratório e o médico pode contribuir bastante para a redução dessas ocorrências.

Na fase pré-analítica, as principais questões são: erro na solicitação do exame apropriado, preparo inadequado do paciente quando da obtenção do material biológico, falha na identificação do paciente, erro na escolha do tubo ou recipiente de coleta e o preenchimento inadequado desse recipiente no momento da coleta, com etiqueta.

Na fase pós-analítica encontramos erros na transcrição dos resultados, falhas nas informações que constam no laudo, como unidades de medida e valores de referência, a não comunicação imediata de valores de pânico e a interpretação equivocada dos achados laboratoriais antes da liberação do resultado, da falta de clareza ou conteúdo das informações.


Quanto às clínicas de medicina diagnóstica e de imagem, os ruídos ou falhas de comunicação interferem nos resultados e muitas vezes evidenciamos falhas ocasionando retificação de laudos, intercorrências por alergias ou sedativos, extravasamento de medicamentos de alta vigilância como o contraste, entre outros. A anamnese bem feita e bem analisada é essencial para uma comunicação eficaz.


Todos os itens citados nas três fases, necessitam de comunicação efetiva e informações em registro seguro.



COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIA


Se juntarmos a boa comunicação com metodologias tecnológicas podemos elevar a qualidade da assistência à saúde, garantindo um paciente bem cuidado e mais seguro.


Resumidamente, a função da comunicação deve ser informar e divulgar informações pertinentes sobre acontecimentos em geral ocorridos no mundo e essa função também serve aos cuidados da saúde.


Iniciativas que melhorem a comunicação e o compartilhamento de informações na saúde têm o potencial de transformar completamente o sistema, impactando a experiência do paciente, das equipes assistenciais, aumentando ainda a segurança e a eficiência do atendimento, otimizando tempo e custos e compilando dados para análises e tomadas de condutas, de forma mais rápida e eficaz.


COMUNICAÇÃO PÓS ASSISTÊNCIA


É muito importante treinar a equipe para continuar a comunicação após a alta do paciente ou liberação de laudos e trazer esse experiência para análise das possíveis sugestões e críticas.



Referências bibliográficas:

https://www.saudebusiness.com/gesto/importncia-da-comunicao-para-o-cuidado-do-paciente

https://www.segurancadopaciente.com.br/qualidade-assist/read-back-uma-estrategia-de-comunicacao-para-ser-usada-tambem-com-pacientes/

https://www.segurancadopaciente.com.br/seguranca-e-gestao/comunicacao-entre-medicos-e-enfermagem-o-problema-e-a-omissao/

https://www.segurancadopaciente.com.br/seguranca-e-gestao/debriefing-estudo-reforca-que-reflexao-conjunta-da-equipe-logo-apos-o-atendimento-melhora-pratica-clinica/

https://alvaroapoio.com.br/qualidade/seguranca-do-paciente-no-laboratorio-clinico



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