Profissional seguro, paciente seguro - Importância da Segurança do Trabalho na área da saúde.

A segurança do trabalho em ambiente da saúde precisa ser uma prioridade de seus gestores. É de total importância garantir um ambiente adequado, preservando a integridade de funcionários, pacientes e acompanhantes.


Devido aos riscos envolvidos na própria natureza dos serviços, o setor da saúde está entre aqueles onde mais há registros de acidentes de trabalho.


O que é segurança do trabalho?

Segurança do trabalho é um conjunto de medidas adotadas para preservar a integridade física dos trabalhadores.


Mapeamento de riscos, treinamento e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são algumas práticas dessa área.

Além de reduzir ou evitar acidentes e doenças ocupacionais, a segurança do trabalho é exigida por lei para empresas que tenham funcionários contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).


A legislação aprovou as primeiras Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, que detalham ações de segurança gerais e para locais ou atividades específicas.

As NRs 04 (SESMT), 05 (CIPA) e 32 (Serviços de Saúde) estão entre as mais importantes para as unidades de saúde.


O técnico de segurança do trabalho é o profissional responsável pela avaliação do ambiente, elaboração e implementação de programas de segurança do trabalho nas organizações.

Podemos dizer que ele faz a ponte entre os interesses dos trabalhadores, empregadores e as exigências da legislação do setor.


Para tanto, deve possuir conhecimentos não apenas sobre segurança do trabalho, mas também a respeito dos riscos inerentes ao setor e às profissões presentes na instituição em que ele atua. Os perigos presentes em uma unidade da saúde costumam ser variados e, portanto, exigem avaliações individuais para cada local.


De acordo com a NR-04 (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), unidades hospitalares com mais de 100 empregados devem contratar pelo menos um técnico de segurança.

Essa exigência considera, além da quantidade de colaboradores, o grau de risco da organização, que vai de 1 a 4 – em geral, hospitais são classificados como grau de risco 3.


Agentes contaminantes, calor e produtos químicos são alguns dos fatores de risco encontrados na maioria dos setores de um ambiente da saúde.

Identificar e mapear as áreas de risco é o primeiro passo para manter um ambiente seguro, tarefa que deve ser executada pela equipe do SESMT e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).


Esse mapeamento indicará os riscos aos quais os trabalhadores estão expostos e servirá de base para as medidas de proteção descritas em documentos como o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais).


De acordo com a NR-09, que descreve o PPRA, riscos ambientais são os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.


Riscos físicos

São as diversas formas de energia a que os funcionários possam estar expostos.

De acordo com o Manual de Segurança no Ambiente Hospitalar da Anvisa, calor, ruído, radiações ionizantes, radiações não-ionizantes e pressões anormais são os principais agentes físicos encontrados no ambiente hospitalar.


Riscos químicos

São substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória, ter contato ou ser absorvidas pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Essas substâncias são amplamente utilizadas no ambiente da saúde, a exemplo de:

- Em manutenções, como os óleos lubrificantes e solventes

- Medicamentos como drogas quimioterápicas

- Em limpezas, na desinfecção e esterilização, como o óxido de etileno.


Riscos ergonômicos

São fatores que interferem nas características psicofisiológicas do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde.

Segundo a Fiocruz, o levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade e postura inadequada são exemplos de riscos ergonômicos importantes.

Repare que todos eles podem estar presentes no setor hospitalar, ainda que distribuídos por departamentos diferentes.


Riscos biológicos

Bactérias, vírus, fungos e parasitas são exemplos de agentes de risco biológico.

Hospitais apresentam diversas fontes de contaminação por agentes biológicos, em especial o contato das mãos com os olhos ou a boca, feridas na pele exposta e possibilidade de perfuração cutânea.

Vale ter atenção especial a alguns setores como o laboratório de análises clínicas e às equipes que fazem a higiene hospitalar.


Usar EPIs adequadamente

Conforme a NR-06, Equipamentos de Proteção Individual são dispositivos destinados à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

Esses itens devem ser oferecidos gratuitamente pelas empresas, sempre que as medidas de ordem geral não oferecerem proteção completa para os riscos presentes no local de trabalho.

Também são usados enquanto a proteção coletiva estiver sendo implantada, ou em situações de emergência.

No caso dos hospitais, cada área ou departamento exige o uso de um ou mais EPI, pois é difícil proteger os trabalhadores simultaneamente de todos os riscos químicos, físicos, biológicos e de acidentes.

Luvas, aventais, máscaras e calçados de proteção são alguns itens utilizados por quem trabalha em hospitais.

Outro exemplo são os aventais de chumbo, que protegem profissionais de radiologia médica da exposição à radiação ionizante, que está relacionada ao desenvolvimento de câncer.


Seguir as Normas de Segurança

Nos tópicos anteriores, citei normas regulamentadoras que se aplicam ao ambiente hospitalar (NRs 04, 05, 06 e 09).

A mais importante é a NR-32, que estabelece diretrizes específicas para a segurança do trabalho em serviços de saúde.

O texto é bem completo, abordando riscos químicos e biológicos e radiações ionizantes em detalhes.

O mesmo vale para ações de limpeza e manutenção, além de pontos que reúnem riscos incomuns, como as lavanderias.


Eliminar corretamente os resíduos hospitalares

Os resíduos gerados são grandes fontes de contaminação, tanto para os colaboradores quanto para pacientes e acompanhantes.

Portanto, lidar corretamente com o lixo do ambiente da saúde é uma das práticas mais eficientes para manter o ambiente seguro.

A própria NR 32 tem parte dedicada especialmente ao treinamento, separação dos resíduos, armazenamento e transporte adequados.

Manter lixeiras feitas de material lavável, resistentes à ruptura e vazamento e com tampas providas de sistema de abertura sem contato manual é uma das exigências para hospitais.

Também é útil adotar medidas para reduzir a quantidade de resíduos gerados, e sinalizar as lixeiras para um descarte adequado.


Oferecer treinamento para os funcionários

Oferecer treinamento para os funcionários

De nada adiantaria manter um hospital devidamente limpo, sinalizado e seguro sem treinar os trabalhadores.

E não falo apenas dos profissionais de saúde, mas também do setor administrativo, financeiro, de limpeza e higiene.


SESMT, CIPA e a segurança do trabalho na área da saúde.

Expliquei, no início deste texto, que os membros do SESMT e da CIPA são os responsáveis pelo levantamento dos riscos, planejamento e execução de planos preventivos.

Para que isso ocorra, é necessário contar com profissionais capacitados em segurança do trabalho e que conheçam as particularidades do ambiente hospitalar.

Também é preciso que eles tenham apoio dos gestores, a fim de disseminar uma cultura empresarial que envolva a segurança do trabalho de forma efetiva.

Só assim será possível conscientizar os trabalhadores e garantir a adoção das medidas sugeridas pelos integrantes da CIPA e do SESMT.


Referência Bibliográfica:

https://telemedicinamorsch.com.br/blog/seguranca-do-trabalho-em-hospitais




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