AÇÕES PARA EVITAR INCIDENTES E EVENTOS ADVERSOS NA CADEIA MEDICAMENTOSA

Atualizado: 10 de jan. de 2021

Seguem abaixo os principais motivos de reações adversas e pedidos de indenização por erros na cadeia medicamentosa:


- Prescrição não realizada ou atrasada;

-Incidentes com anticoagulantes;

-Erros associados à insulina;

-Incidentes com drogas que exigem monitoramento por exame de sangue;

-Ocorrência de reação alérgica já conhecida;

-Interações medicamentosas;

-Eventos adversos decorrentes de drogas anti-inflamatórias não esteroides.


VAMOS DESCREVER UM POUCO SOBRE MEDICAMENTOS DE ALTO RISCO OU ALTA VIGILÂNCIA


Medicamentos potencialmente perigosos, também denominados medicamentos de alta vigilância, são aqueles que apresentam risco aumentado em provocar danos significativos aos pacientes quando há falhas no fluxo aplicado.


O medicamento de alto risco deve ser tratado de forma diferenciada e segura durante todo o seu fluxo, desde a prescrição até a administração ao paciente.


O médico deve prescrevê-lo de forma correta:

A prescrição de medicamento deve conter:

- Nome da Instituição

- Nome do paciente e data de nascimento (Meta 1)

- Nome do médico solicitante com CRM

- Data da prescrição

- Legibilidade

- Siglas padronizadas ao invés de abreviaturas sem critérios

- Cuidado com nomes semelhantes de medicamentos (DOPAmina e DOBUtamina; ClorproPAMIDA e ClorproMAZINA; VimBLASTina e VinCRIStina.

- Dose (diluição, horários ou quantidade)

- Alergias


A farmácia deve garantir:

- A análise da prescrição do medicamento

- A intervenção, quando necessário

- O acondicionamento correto (bins separados, rótulos diferenciados)

- Dispensação segura e diferenciada (embalagens vermelhas, etiquetas coloridas)

- Treinamento e disponibilidade de "banners" para a enfermagem com os nomes dos medicamentos, tipos de riscos e prevenções.


A enfermagem deve:

- Administrar o medicamento correto, da forma correta e no paciente correto

- Efetuar a dupla checagem na prescrição médica

- Avaliar e monitorar os potenciais riscos ao paciente


O artigo 30 do Código de Ética do Profissional de Enfermagem, proíbe ao profissional de enfermagem: “Administrar medicamentos sem conhecer a ação da droga e sem certificar‐se da possibilidade dos riscos”.

Resolução COFEN nº 311/2007. Aprova a Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: URL: http://corensp.org.br/072005


Portanto a equipe interdisciplinar deve garantir a assistência segura ao paciente.


Todas as ações tomadas pela equipe envolvida na linha do cuidado do medicamento de alta vigilância deve ser evidenciada em prontuário para garantir a continuidade dos cuidados ao paciente.


Qualquer intercorrência ou dano provocado durante o fluxo do medicamento de alto risco ou alta vigilância deve ser notificado e tratado no Núcleo de Segurança do Paciente e se necessário, na Comissão de Farmacovigilância.


Por que o médico opta por prescrever um medicamento de alta vigilância? Porque a conduta médica é analisada entre os possíveis riscos, que podem ou não ser controlados pela equipe envolvida, e os benefícios que o medicamento trará no tratamento e restabelecimento da saúde do paciente. Cabendo à equipe multidisciplinar monitorar de forma a prevenir e mitigar as chances dos riscos atingirem o paciente.


No link "download" aqui no site, está disponível o Protocolo de Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos - Coordenado pelo Ministério da Saúde e ANVISA em parceria com FIOCRUZ e FHEMIG.


RECONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA - BENEFÍCIOS

A ocorrência de erros de medicação e eventos adversos causa grande preocupação nos profissionais de saúde, pois podem causar lesões irreversíveis ao paciente. Neste contexto, aumenta a cada dia a busca pela segurança do paciente, tornando este assunto um desafio mundial. A ocorrência destes erros torna a cada dia mais importante que existam programas e profissionais mais comprometidos com o uso racional de medicamentos e consequente prevenção dos erros de medicação. A reconciliação medicamentosa é o processo de obtenção da lista completa de todas as medicações em uso do paciente, e tem o intuito de evitar erros, como omissões, duplicações, erros de dosagem e interações medicamentosas.


E PARA FINALIZAR - Papel do farmacêutico na farmácia clínica

A farmácia Clínica reconectou o farmacêutico com a área da saúde, elevando esse profissional a um novo patamar e reaproximando-o da figura central, o paciente. O Uso Irracional de Medicamentos é um problema de saúde mundial, anualmente milhares de pessoas morrem devido a intoxicações com fármacos. O farmacêutico clínico é o profissional responsável por promover o uso racional de medicamentos, através: - da educação em saúde; - dispensação segura de medicamentos; - otimização da farmacoterapia; - garantindo segurança e efetividade no tratamento farmacológico; - além de ser o profissional responsável pela identificação e resolução de Problemas Relacionados aos Medicamentos. Dessa forma, atuando junto à equipe multidisciplinar, o farmacêutico promove, saúde e qualidade de vida para os pacientes. A farmácia clínica pode ser desenvolvida em hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde, farmácias comunitárias, instituições de longa permanência e domicílios, entre outros. Segundo a Sociedade Americana de Farmacêuticos Hospitalares (ASHP), a Farmácia Clínica pode ser definida como "a ciência da saúde cuja responsabilidade é assegurar, mediante a aplicação de conhecimentos e funções relacionadas ao cuidado dos pacientes, que o uso de medicamentos seja seguro e apropriado; necessita, portanto, de educação especializada e treinamento estruturado, além da coleta e interpretação de dados, da motivação pelo paciente e de interações multiprofissionais". As atribuições do farmacêutico clínico foram definidas pela resolução nº 585 de 29 de agosto de 2013. A resolução dispõe de vários itens de atribuições do farmacêutico clínico, seguem alguns: - Estabelecer e conduzir uma relação de cuidado centrada no paciente; - Realizar intervenções farmacêuticas e emitir parecer farmacêutico a outros membros da equipe de saúde, com o propósito de auxiliar na seleção, adição, substituição, ajuste ou interrupção da farmacoterapia do paciente;  - Participar e promover discussões de casos clínicos de forma integrada com os demais membros da equipe de saúde; - Fazer a evolução farmacêutica e registrar no prontuário do paciente;  E outros itens da mesma responsabilidade e importância. É papel do farmacêutico clínico o planejamento, desenvolvimento e implantação de serviços clínicos farmacêuticos, comunicação com equipe e paciente, indicadores de acompanhamento e impacto de serviços, presidir a comissão de farmacovigilância. As atribuições clínicas do farmacêutico são uma das forças mais poderosas que compõem o arsenal de recursos de que o homem dispõe para promover a saúde física e mental da humanidade. Em grande parte dos países de Primeiro Mundo, essas atribuições já se consolidaram. No Brasil, iniciou-se um pouco tardiamente. A morbimortalidade relativa às doenças e agravos não transmissíveis e à farmacoterapia tiveram um enorme crescimento, repercutindo nos sistemas de saúde, o que exigiu um novo perfil do farmacêutico. Esse conjunto de necessidades passou a cobrar um farmacêutico mais focado no cuidado direto ao paciente, na promoção do uso racional de medicamentos e de outras tecnologias em saúde. Ou seja, o profissional contemporâneo foi levado a redefinir a sua prática em conformidade com as necessidades dos pacientes, dos sistemas de saúde, do mercado. A prescrição farmacêutica refere-se ao ato de selecionar a conduta mais apropriada, durante a provisão de serviços. Prescrever é recomendar, é indicar algo ao paciente baseado em suas necessidades de saúde e dentro do contexto clínico “As atribuições clínicas e a prescrição farmacêutica não são matérias de confrontação, mas de colaboração com os outros prescritores” (Walter Jorge João, Presidente do CFF).










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