CRISE HIDRICA E O PLANO DE CONTINGÊNCIA EM SERVIÇOS DE SAÚDE

As organizações de saúde não devem apenas se preparar para conviver com a escassez da água, caso haja, mas também atuar de forma proativa no desenvolvimento de soluções para redução do seu consumo das atividades assistenciais com racionamento consciente da água e energia.

É preciso garantir os cuidados para preservação da segurança do paciente diante das diferentes fontes e dos riscos decorrentes da redução no abastecimento de energia e água, bem como, explorar as diversas oportunidades de racionalização e melhor uso da água e energia nas operações hospitalares e de outros segmentos da saúde.

A água é considerada um dos grandes patrimônios do Brasil por sua abundância , o país tem aproximadamente 16% da água doce do planeta, porém tornou-se escassa devido à irregularidade do período de chuvas na região, entre outros fatores. Inúmeros reservatórios estão quase vazios.


Para a garantir a longo prazo a preservação das nossas riquezas naturais, teremos que iniciar atitudes conscientes agora, como:

- Campanhas educativas para os profissionais sobre o uso consciente, adoção de água de reuso para limpeza e manutenção de áreas verdes e alguns tipos de higiene, bem como investimento em redutores de vazão para torneiras e chuveiros.

- Campanhas de conscientização para os profissionais quanto adoção da cultura de apagar a luz das salas ao sair, não utilizar o ar condicionado com portas e janelas abertas, utilizar bons filtros para seu sistema de ar condicionado (assim evitando também as infecções hospitalares) , desligar o monitor dos computadores quando não estiver usando, utilizar lâmpadas por sensor de movimento, investimento em energia solar, entre outros.


Mas também é preciso pensar em contingências eficazes e seguras para o momento em que estamos passando e possíveis riscos que precisaremos mitigar.


Como eu sempre digo, toda crise gera oportunidades, creio que a crise hídrica deixa como grande oportunidade, a importância da conscientização da população sobre o uso racional da água, bem como a necessidade de adoção de soluções inteligentes, como o aproveitamento de água de chuva, utilização de água não potável para descarga de sanitários e tratamento de efluentes para fins de reuso, dentro e fora do contexto das organizações de saúde.


A gestão de hospitais, laboratórios e clínicas envolve uma série de fatores e custos inerentes à sua operação e seu propósito em salvar ou cuidar de vidas, desde equipamentos para tratamentos mais simples até equipamentos que são utilizados em tratamentos mais complexos e que são críticos para a manutenção da vida de pacientes, e esses equipamentos têm a energia elétrica como um insumo crucial.


A energia elétrica mais barata é a energia que deixamos de consumir. Pode parecer estranho mas o potencial de ganhos para a economia brasileira com a redução do consumo é bilionário. A redução da conta de energia de um hospital, laboratório, posto de saúde ou clínica pode proporcionar o investimento em equipamentos mais sofisticados e em contratação de pessoal. Dependendo das práticas em gestão da saúde, uma simples inspeção pode revelar áreas nas quais iluminação ou equipamentos são esquecidos ligados sem necessidade ou locais onde iluminação, ventilação ou refrigeração podem ter seu uso reduzido sem detrimento do conforto dos usuários ou cuidado com pacientes. Enfim, há inúmeras medidas, muitas delas simples de serem implementadas que podem resultar em economia na conta de energia.


Com essa crise anunciada, não há como esperar acontecer para após a crise instalada tomar atitudes corretivas desesperadas e muitas vezes mais caras. Há a necessidade de agir preventivamente, com calma e com segurança, contemplando as necessidades e as condições financeiras e até mesmo do perfil epidemiológico da organização.


Uma das ações de segurança e prevenção pode ser a convocação do COMITÊ DE CRISE para uma análise da atual e da probabilidade de uma futura situação crítica.

Esse Comitê deve entender o problema, os riscos e as possíveis ações de prevenções para a falta de energia.

A falta de suprimento energético em ambientes da saúde pode acarretar em sérios problemas, incluindo a morte. Por isso, a presença de um gerador em alguns ambientes, com os hospitalares, é indispensável.


Porém há organizações de saúde que não têm condições financeiras ou até mesmo viabilidade estrutural para a aquisição de um gerador. Mas o quanto essa economia pode resultar em prejuízos financeiros, de imagem ou de segurança? Será que vale a pena? O Comitê deve efetuar um estudo de viabilidade e analisar as devidas legislações e probabilidades.


Caso não haja como plano de contingência, a utilização de gerador, no caso de clinicas menores que não trabalham com procedimentos de riscos, por exemplo, o Comitê de Crise deve analisar ações paliativas e também seguras como a utilização de nobreak, baterias para os equipamentos, manter os equipamentos de backup prontos para entrarem em operação ou até mesmo, o cancelamento de agendas, contemplando prejuízos financeiros e de imagem, caso o paciente não entenda e faça reclamações formais.


Mas nos casos de hospitais, clínicas ou laboratórios que ficam em unidades hospitalares, deve haver gerador que contemple as áreas essenciais e críticas para garantir a continuidade dos cuidados à vida. O gerador deve passar por manutenções preventivas e análises periódicas (check list) para a garantia da sua integridade no momento em que precisar cumprir com sua função. Todos os profissionais devem conhecer o tempo que o gerador "demora" para entrar em funcionamento para que todos saibam como proceder, caso não funcione no período programado.


A falta de abastecimento de água deve ter a mesma relevância e análise preventiva da falta de energia. O Comitê de Crise deve analisar qual a margem de utilização da água da caixa d'água, se há poço artesiano, se há como adquirir água potável por caminhão pipa, por exemplo.


Portanto senhores gestores de serviços de saúde, sem alarmismos e com muita seriedade, chegou o momento de constituir seu Comitê de Crise ou uma equipe similar e capacitada para a análise e ações caso os possíveis riscos que a crise hídrica pode causar na área da saúde, venha se concretizar.


A CQ Consultoria está à disposição para ajudá-los nesse planejamento e quaisquer outros planejamentos que possam afetar a segurança do paciente e a qualidade dos serviços prestados.




Fontes:

https://sharenergy.com.br/gestao-de-hospitais-conservacao-de-energia/

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